Câncer Colorretal: Sinais de Alerta, Exames e Como Prevenir

O câncer colorretal, também chamado de câncer de intestino, voltou ao centro das conversas nos últimos dias. Afinal, uma atriz brasileira contou publicamente sobre o seu diagnóstico, e as buscas pelo tema dispararam no Google. No entanto, mais importante do que a notícia é o que ela pode ensinar: esse câncer é comum, muitas vezes dá sinais e, quando descoberto cedo, tem boas chances de tratamento.

Neste guia, portanto, você vai entender o que é o câncer colorretal, quais sintomas merecem atenção, quem tem mais risco e o que fazer para se proteger. Além disso, mostramos por que o assunto também preocupa adultos jovens. Todas as informações, aliás, vêm de fontes oficiais, como o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Legumes e verduras frescos, ricos em fibras, que ajudam na prevenção do câncer colorretal

Frutas, verduras e legumes fazem parte das recomendações do INCA para reduzir o risco. Imagem: Pixabay

O que é o câncer colorretal?

Em resumo, o câncer colorretal é o tumor que surge no intestino grosso (o cólon) ou no reto, a parte final do intestino. Por isso, ele também é chamado de câncer de cólon e reto ou, de forma mais simples, câncer de intestino.

Em geral, muitos desses tumores começam como pólipos, pequenas lesões que crescem na parede do intestino. Contudo, nem todo pólipo vira câncer. Ainda assim, alguns podem se transformar com o passar dos anos. É justamente por isso que os exames de detecção precoce são tão importantes.

Um câncer muito comum no Brasil

De acordo com a estimativa do INCA para o triênio 2026-2028, o Brasil deve registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer de cólon e reto por ano. Desse total, então, aproximadamente 26.270 casos devem ocorrer em homens e 27.540 em mulheres.

Assim, sem contar o câncer de pele não melanoma, ele é o terceiro tipo de câncer mais frequente no país. Além disso, ocupa o segundo lugar tanto entre os homens quanto entre as mulheres. Ou seja, não é um problema raro nem restrito a um grupo específico.

Sintomas do câncer colorretal: sinais que merecem atenção

De acordo com o INCA, alguns sinais podem indicar o câncer de intestino. Contudo, eles também aparecem em problemas mais simples, como hemorroidas ou infecções. Por isso, ter um desses sintomas não significa ter câncer. Ainda assim, eles precisam ser investigados por um médico, principalmente quando não melhoram em alguns dias.

Médico conversando com paciente durante consulta

Sintomas que persistem devem ser avaliados por um médico. Imagem: Pixabay

Principais sinais citados pelo INCA

  • Em primeiro lugar, sangue nas fezes;
  • Além disso, mudança no hábito intestinal, como diarreia ou prisão de ventre;
  • Da mesma forma, dor, cólica ou desconforto abdominal;
  • Do mesmo modo, fraqueza e anemia;
  • Igualmente, perda de peso sem causa aparente;
  • Assim como fezes mais finas e sensação de que o intestino não esvaziou por completo;
  • Por fim, massa ou aumento de volume na barriga.

Quando procurar o médico

Em geral, a orientação é não ignorar esses sinais. Portanto, se algum deles aparecer e persistir, marque uma consulta com um clínico geral, gastroenterologista ou coloproctologista. Afinal, é o profissional quem vai avaliar o caso e pedir os exames adequados. No SUS, o primeiro passo costuma ser a consulta na Unidade Básica de Saúde. De lá, o paciente pode ser encaminhado para um especialista, se necessário. Assim, você não precisa esperar os sintomas piorarem para buscar ajuda.

Atenção ao sangue nas fezes

Muita gente atribui o sangue nas fezes às hemorroidas e deixa de procurar ajuda. No entanto, só a avaliação médica consegue diferenciar uma causa da outra. Por isso, mesmo que você já tenha hemorroidas, vale contar ao médico se o sangramento mudar ou se repetir.

Quem tem mais risco de câncer colorretal?

Sem dúvida, alguns fatores aumentam a chance de desenvolver a doença. Uns, por exemplo, não podem ser mudados, como a idade e o histórico familiar. Outros, por outro lado, estão ligados ao estilo de vida e podem ser modificados.

Fatores que não dependem de você

  • Primeiramente, ter 50 anos ou mais;
  • Além disso, histórico pessoal ou familiar de câncer de intestino, ovário, útero ou mama;
  • Da mesma forma, doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn;
  • Por fim, algumas síndromes hereditárias, como a polipose adenomatosa familiar.

Nesses casos, de acordo com o INCA, o acompanhamento deve ser individualizado. Ou seja, quem tem doença inflamatória intestinal ou histórico familiar importante precisa conversar com o médico sobre exames específicos.

Fatores ligados ao estilo de vida

  • Em primeiro lugar, inatividade física;
  • Além disso, excesso de peso, ou seja, sobrepeso e obesidade;
  • Da mesma forma, alimentação pobre em fibras;
  • Do mesmo modo, consumo de carnes processadas, como embutidos;
  • Igualmente, consumo de mais de 500 g de carne vermelha cozida por semana;
  • Por fim, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas.

Além disso, o INCA cita a exposição ocupacional ao amianto e a radiações ionizantes, bem como o trabalho em turnos noturnos.

Câncer colorretal em jovens: por que o alerta aumentou

Em geral, o câncer colorretal é mais comum depois dos 50 anos. No entanto, nos últimos anos, pesquisadores de vários países têm observado um aumento de casos em adultos mais jovens.

Pessoa caminhando ao ar livre em uma trilha arborizada pela manhã

Manter o corpo em movimento é uma das formas de reduzir o risco. Imagem: Pixabay

Nos Estados Unidos, por exemplo, um relatório de 2024 da American Cancer Society apontou o câncer colorretal como a principal causa de morte por câncer em homens com menos de 50 anos. Entre as mulheres da mesma faixa, ele aparece em segundo lugar, atrás do câncer de mama.

Contudo, as causas desse aumento ainda não estão claras e continuam sendo estudadas. Entre as hipóteses, os cientistas investigam mudanças na alimentação, no peso e em exposições ambientais ao longo da vida. Portanto, a mensagem principal é simples: ser jovem não é motivo para ignorar sintomas.

Como prevenir o câncer colorretal

Certamente, nem todos os casos podem ser evitados. Ainda assim, de acordo com o INCA, algumas atitudes reduzem o risco. Além disso, elas também ajudam a proteger o coração e a controlar o peso.

Mantenha o corpo em movimento

Antes de tudo, pratique atividade física diariamente ou na maior parte dos dias da semana. Afinal, não é preciso começar com treinos intensos. Assim, uma caminhada regular já é um bom ponto de partida. Se você quer entender melhor essa diferença, leia nosso texto sobre atividade física e exercício físico.

Capriche nas fibras e nos alimentos naturais

Da mesma forma, o INCA recomenda priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais e leguminosas, a exemplo do feijão. Afinal, esses alimentos são ricos em fibras, que ajudam no funcionamento do intestino. Para saber mais, então, veja nosso guia sobre fibras na alimentação.

Reduza embutidos e carne vermelha

Além disso, evite carnes processadas, como salsicha, presunto, linguiça e bacon. Enquanto isso, a carne vermelha deve ser limitada a até 500 g de carne cozida por semana, segundo o INCA. Na prática, isso pode significar trocar algumas refeições por frango, peixe, ovos ou leguminosas.

Cuide do peso, do cigarro e do álcool

Por fim, manter o peso adequado, não fumar e evitar bebidas alcoólicas também faz diferença. Para quem quer parar de fumar, o SUS oferece tratamento gratuito. Então, basta procurar uma Unidade Básica de Saúde.

Exames: diagnóstico precoce e rastreamento

Em geral, quando o câncer colorretal é descoberto cedo, as chances de tratamento são maiores. Por isso, o INCA diferencia duas estratégias de detecção precoce.

Estetoscópio sobre a mesa, representando exames de detecção precoce

Converse com o médico sobre os exames indicados para você. Imagem: Pixabay

Diagnóstico precoce

Em primeiro lugar, o diagnóstico precoce é a investigação de pessoas que já têm sinais ou sintomas. Nesse caso, o médico pode pedir exames clínicos, laboratoriais, endoscópicos ou de imagem.

Rastreamento

Por outro lado, o rastreamento é feito em pessoas sem sintomas. Conforme a página do INCA, a Organização Mundial da Saúde recomenda o exame de sangue oculto nas fezes para esse fim. Se o resultado for positivo, então o próximo passo costuma ser a colonoscopia ou a retossigmoidoscopia.

A partir de qual idade?

Atualmente, a idade para começar o rastreamento varia entre países e diretrizes. Nos Estados Unidos, por exemplo, a recomendação para pessoas de risco médio passou a ser a partir dos 45 anos. Enquanto isso, no Brasil, o INCA informa que o Ministério da Saúde trabalha na elaboração de diretrizes nacionais. Por isso, o mais seguro é conversar com o seu médico, que vai considerar sua idade, seu histórico familiar e seus sintomas.

Como é o tratamento do câncer colorretal

De acordo com o INCA, a cirurgia é o principal tratamento. Além disso, dependendo do caso, ela pode ser combinada com radioterapia e quimioterapia. Em geral, a escolha depende do tamanho, da localização e da extensão do tumor.

Em alguns casos, a retirada de parte do intestino exige uma ostomia, que é uma abertura na barriga para a saída das fezes. Ela pode ser temporária ou definitiva. Por fim, depois do tratamento, o paciente segue com consultas e exames periódicos.

Como se preparar para a consulta

Ir ao médico com as informações organizadas ajuda a aproveitar melhor a consulta. Por isso, antes do atendimento, vale anotar alguns pontos.

  • Quais sintomas você percebeu e há quanto tempo eles aparecem;
  • Se houve mudança no hábito intestinal, como diarreia ou prisão de ventre frequentes;
  • Se você perdeu peso sem estar fazendo dieta;
  • Casos de câncer na família, quem teve e com qual idade;
  • Remédios e suplementos que você usa no dia a dia.

Além disso, leve exames antigos, se tiver. Em seguida, pergunte ao médico quais exames são indicados no seu caso e quando repeti-los. Por fim, não tenha vergonha de falar sobre fezes, sangramento ou dor. Esses detalhes são justamente o que ajuda o profissional a chegar ao diagnóstico correto.

Mitos e verdades sobre o câncer colorretal

Com tanta informação circulando nas redes sociais, é comum surgirem dúvidas. Veja, então, o que dizem as fontes oficiais sobre algumas delas.

"Só acontece com idosos"

Mito. A idade acima de 50 anos é um fator de risco, segundo o INCA. Ainda assim, pesquisas internacionais mostram aumento de casos em adultos mais jovens. Sintomas persistentes devem ser investigados em qualquer idade.

"Se eu não sinto nada, está tudo bem"

Nem sempre. Nas fases iniciais, a doença pode não dar sinais. Por isso, existem os exames de rastreamento, feitos em pessoas sem sintomas.

"Câncer de intestino não tem cura"

Mito. O INCA afirma que a doença pode ser tratada e, em muitos casos, curada. Além disso, as chances são maiores quando o diagnóstico é feito cedo, antes de o tumor se espalhar para outros órgãos.

"Alimentação não faz diferença"

Mito. Alimentação pobre em fibras e consumo de carnes processadas estão entre os fatores de risco citados pelo INCA. Portanto, uma rotina com mais alimentos naturais é uma das formas de reduzir esse risco.

Perguntas frequentes sobre câncer colorretal

Câncer colorretal e câncer de intestino são a mesma coisa?

Sim. Afinal, os dois nomes se referem aos tumores do cólon e do reto, partes do intestino grosso.

Ter hemorroidas aumenta o risco de câncer de intestino?

As fontes consultadas não apontam hemorroidas como fator de risco. No entanto, os sintomas podem ser parecidos, como o sangramento. Por isso, só o médico pode avaliar a causa.

Comer fibras impede o câncer colorretal?

Não existe garantia. Ainda assim, uma alimentação rica em fibras faz parte das recomendações do INCA para reduzir o risco, junto com atividade física e controle do peso.

Conclusão

Em resumo, o câncer colorretal é comum no Brasil, pode dar sinais e tem mais chance de tratamento quando é descoberto cedo. Por isso, fique atento a sintomas como sangue nas fezes e mudanças no intestino, converse com o médico sobre exames e invista em hábitos que reduzem o risco. Assim, a notícia que gerou tantas buscas pode virar um lembrete útil de cuidado com a saúde. Compartilhe estas informações com a família, principalmente com quem tem mais de 50 anos ou histórico de câncer. Uma conversa simples pode estimular alguém a marcar aquela consulta adiada.

Fontes

  • INCA. Câncer de intestino: versão para população. Atualizado em 07/07/2023. Acessar a fonte
  • Revista Brasileira de Cancerologia. Perfil epidemiológico da incidência de câncer no Brasil e regiões: estimativas para o triênio 2026-2028. Acessar a fonte
  • Mass General Brigham. Por que o câncer colorretal está aumentando entre adultos jovens (cita relatório de 2024 da American Cancer Society). Acessar a fonte
  • Google Trends, Brasil, categoria Saúde, últimos 7 dias: busca "câncer colorretal". Consultado em 26/10/2026. Acessar a fonte

Aviso de saúde: este texto tem caráter informativo e não substitui consulta com médico. Se você tem sintomas ou histórico familiar de câncer, procure um profissional de saúde para avaliação individual.

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