Foto: Multishow, via Wikimedia Commons (licença Creative Commons Atribuição 4.0)
Quarenta ovos por dia. Esse número virou assunto nacional quando Gracyanne Barbosa entrou no BBB e é, até hoje, uma das dietas de celebridade mais comentadas do Brasil. Só que quase ninguém faz a conta óbvia: quanto isso custa, e quanta proteína uma pessoa normal realmente precisa. Neste artigo levantamos os dois números, com base em uma reportagem que consultou uma nutricionista da USP.
O número real é menos assustador do que parece
Primeiro, uma correção importante que costuma se perder na manchete. Segundo reportagem do InfoMoney, a própria Gracyanne já explicou que o consumo dela é de quarenta claras e apenas dez gemas. Ou seja, nem ela come quarenta ovos inteiros por dia.
A diferença importa porque a clara é basicamente proteína e água, enquanto a gema concentra a gordura, o colesterol e boa parte dos micronutrientes. Separar os dois muda completamente o perfil nutricional do que está sendo consumido.
Quanto custa seguir isso
Aqui está o dado que ninguém comenta. O InfoMoney consultou os boletins do Instituto de Economia Agrícola, que divulga os preços do ovo no mercado atacadista de São Paulo, e fez a conta.
Com o ovo a aproximadamente quarenta e quatro centavos a unidade no atacado, quarenta ovos por dia representavam algo em torno de dezessete reais e cinquenta e nove centavos por dia, quinhentos e vinte e sete reais por mês, e cerca de seis mil trezentos e trinta e dois reais em um ano. Importante: esses valores são de janeiro de 2025 e foram calculados com base em preço de atacado, que costuma ser menor do que o pago pelo consumidor final. Considerando que já se passou mais de um ano, o valor atual provavelmente é outro, e recomendo conferir o preço no seu mercado antes de usar esses números como referência.
Para efeito de comparação
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal citados pela mesma reportagem, o brasileiro consumiu em média duzentos e sessenta e nove ovos ao longo de todo o ano de 2024, o que dá quase vinte e dois ovos por mês. Gracyanne come quase o dobro disso em um único dia.
Quanta proteína você realmente precisa
Essa é a parte mais útil do artigo. Segundo a nutricionista Patrícia Campos Ferraz, da Clínica Move, formada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e pós doutora pela Escola de Educação Física e Esporte da USP, em entrevista ao InfoMoney, existe um patamar bem definido na literatura científica.
Segundo ela, a literatura mostra que, se a pessoa treinar pesado e consumir uma dieta com dois gramas de proteína por quilo de peso por dia, já terá um ótimo resultado de ganho de massa muscular. Ela acrescenta que é comum fisiculturistas ingerirem mais do que isso para obter resultados mais expressivos.
Traduzindo: alguém de setenta quilos que treina pesado chegaria em torno de cento e quarenta gramas de proteína por dia. Isso é perfeitamente alcançável com comida comum, sem precisar de quarenta ovos. Detalhamos como fazer essa conta no artigo sobre quanta proteína comer.
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O arroz com feijão já resolve boa parte do problema
Um ponto que a nutricionista faz e que vale destacar: segundo ela, a alimentação do brasileiro já é rica em proteína por causa da combinação do bom e velho arroz com feijão, somada ao hábito de acompanhar a dupla com algum tipo de carne ou com ovo.
Ou seja, a base da comida brasileira tradicional já entrega uma quantidade razoável de proteína. O ajuste que a maioria das pessoas precisa fazer costuma ser de porção, não de revolução no cardápio.
O risco que ninguém menciona
Além da questão nutricional, a especialista levanta um alerta comportamental. Segundo Patrícia Campos Ferraz, existe uma falsa ideia de que dieta saudável só tem itens considerados fitness, e isso pode gerar comportamento compulsivo em relação a alguns alimentos. Segundo ela, é normal querer comer um chocolate de vez em quando.
Esse é um contraponto importante ao clima de disciplina extrema que costuma cercar esse tipo de dieta. Restrição rígida demais tende a produzir o efeito oposto ao longo do tempo, algo que já abordamos no artigo sobre como controlar a fome.
Vale lembrar do contexto dela
Gracyanne é fisiculturista, treina em volume muito superior ao de uma pessoa comum e, segundo a própria reportagem, conta com acompanhamento de profissionais capacitados. A nutricionista consultada reforça que dietas hiperproteicas desse tipo são características de atletas dessa modalidade, e que a alimentação dela inclui outros alimentos, como frango, carne e batata doce, não apenas ovos.
É o mesmo padrão que já observamos em outros casos de dieta viral, como no artigo sobre a dieta do ovo de Virginia Fonseca: o número chocante viraliza, o contexto profissional que sustenta aquilo fica de fora.
Perguntas frequentes
Gracyanne Barbosa come mesmo 40 ovos por dia?
Segundo a cobertura consultada, ela relata consumir quarenta claras e apenas dez gemas, e não quarenta ovos inteiros. A dieta dela também inclui frango, carne e batata doce.
Quantos ovos por dia uma pessoa comum pode comer?
Não existe um número único válido para todos. Coberturas sobre o tema costumam citar recomendações em torno de até três ovos por dia para a população geral, mas isso varia conforme o restante da alimentação, o nível de atividade física e o histórico de saúde. O ideal é definir com um profissional.
Quanta proteína preciso para ganhar massa muscular?
Segundo a nutricionista consultada pelo InfoMoney, a literatura indica que dois gramas de proteína por quilo de peso por dia, combinados com treino pesado, já produzem um ótimo resultado de ganho de massa muscular.
Seguir essa dieta sai caro?
Pelos cálculos do InfoMoney feitos em janeiro de 2025 com preço de atacado, quarenta ovos por dia representavam mais de seis mil reais em um ano. Como os preços mudam, vale refazer a conta com o valor atual do ovo na sua região.
Aviso importante
Este conteúdo tem caráter informativo e foi construído a partir de reportagens públicas que ouviram profissionais de saúde. Ele não substitui orientação de nutricionista, médico ou outro profissional qualificado, e não deve ser lido como um plano alimentar a ser seguido. Dietas hiperproteicas e muito restritivas exigem acompanhamento profissional, especialmente para quem tem alguma condição renal, hepática ou cardiovascular. Se você percebe que pensamentos sobre peso, corpo ou alimentação estão ocupando muito espaço na sua rotina, vale conversar com um profissional de saúde de confiança.
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