Entre todas as dietas que existem, uma se destaca disparado quando o assunto é interesse dos brasileiros na internet, a dieta low carb. Mesmo com tanta gente falando sobre ela, ainda existe bastante confusão sobre o que ela realmente significa, se ela é a mesma coisa que a dieta cetogênica e se vale a pena adotar esse padrão alimentar. Neste artigo vamos esclarecer esses pontos com base em dados de busca e em evidências científicas, sem exagero para nenhum dos lados.
A dieta mais buscada pelos brasileiros
Segundo um levantamento feito pela CNN Brasil com dados do Google Trends, a dieta low carb foi a mais pesquisada no Brasil ao longo de doze meses analisados, com uma média de setenta e cinco pontos de interesse no período. Essa reportagem foi publicada em 2024, então trato esses números como um retrato daquele momento específico, não como um dado atualizado em tempo real, mas o padrão de interesse alto por dietas restritivas como a low carb parece ter se mantido ao longo do tempo.
Logo atrás da low carb apareceu a dieta cetogênica, com média de cinquenta e um pontos, considerada pela reportagem uma versão mais radical da própria low carb. Isso já esclarece uma dúvida comum, cetogênica e low carb não são a mesma coisa, mas a cetogênica pode ser entendida como um subtipo mais extremo dentro do universo das dietas de baixo carboidrato.
O que é a dieta low carb
A dieta low carb é caracterizada pela redução na ingestão de carboidratos, com o objetivo de diminuir a quantidade de calorias no prato e priorizar carboidratos de baixo índice glicêmico, aqueles que são absorvidos de forma mais lenta pelo organismo, reduzindo as chances de um pico de glicose no sangue. Diferente da dieta cetogênica, que praticamente elimina os carboidratos para induzir o corpo a um estado chamado cetose, a low carb costuma ser mais flexível, apenas reduzindo a quantidade consumida sem necessariamente eliminar grupos alimentares inteiros.
Riscos que a ciência já identificou
Uma pesquisa apresentada em 2023 na Sessão Científica Anual do American College of Cardiology, segundo reportagem da CNN Brasil, associou a dieta cetogênica a um maior risco de doença cardíaca e eventos como ataque cardíaco e AVC, ligado a níveis mais altos de colesterol considerado ruim. Não tenho acesso direto ao estudo original apresentado nessa sessão científica, então trato esse achado como relatado pela cobertura jornalística que consultei, e recomendo cautela antes de repetir essa associação como definitiva.
Além disso, segundo a mesma reportagem, o Ministério da Saúde brasileiro aponta que uma alimentação com baixa ingestão de carboidratos pode trazer efeitos colaterais como redução do rendimento físico, ganho de peso subsequente após o abandono da dieta, desregulação do organismo e diminuição de energia. Isso reforça que reduzir carboidratos não é uma decisão sem consequências e merece acompanhamento profissional, especialmente quando a redução é drástica como na cetogênica.
Existem opções menos restritivas e com mais respaldo científico
Ainda segundo o levantamento da CNN Brasil, dietas menos pesquisadas pelos brasileiros, como a mediterrânea e a DASH, parecem oferecer mais benefícios com menos risco. A dieta mediterrânea, que já detalhamos em outro artigo aqui no blog, foi eleita o melhor estilo de alimentação por sete anos consecutivos segundo o ranking da US News and World Report em 2024, enquanto a dieta DASH ficou em segundo lugar no mesmo ranking, mesmo aparecendo bem abaixo da low carb em volume de buscas no Google.
Segundo André Camara de Oliveira, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo, em declaração à CNN Brasil, uma dieta tradicional que respeita a proporção de proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas e minerais é segura, desde que adaptada para cada pessoa e sua condição de saúde.
Vale a pena seguir a dieta low carb
A resposta depende do seu objetivo e do seu histórico de saúde. Reduzir carboidratos refinados e priorizar opções de baixo índice glicêmico tende a ser uma estratégia razoável para boa parte das pessoas, especialmente quando comparado ao consumo excessivo de açúcar e farináceos refinados. O problema costuma aparecer quando a restrição vira extrema, como na versão cetogênica, sem acompanhamento adequado, algo que já discutimos com mais detalhes no artigo sobre dieta cetogênica.
Vale lembrar ainda que, independente da dieta escolhida, o fator que mais aparece associado a resultados duradouros é a capacidade de manter o hábito por anos, e não por algumas semanas, ponto que também detalhamos no artigo sobre jejum intermitente e no artigo sobre contar calorias.
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Perguntas frequentes
Dieta low carb é a mesma coisa que dieta cetogênica?
Não. A cetogênica é considerada uma versão mais radical e restritiva dentro do universo das dietas de baixo carboidrato, com eliminação quase total de carboidratos para induzir cetose, enquanto a low carb costuma ser mais flexível.
A dieta low carb é a mais segura entre as dietas restritivas?
Não necessariamente. Segundo a cobertura consultada, dietas menos restritivas e menos buscadas no Google, como a mediterrânea e a DASH, aparecem com melhor avaliação em rankings de qualidade nutricional e menos riscos associados.
Reduzir carboidratos sempre traz risco à saúde?
Não necessariamente, mas reduções drásticas e prolongadas, como na dieta cetogênica, foram associadas em pesquisas a fatores de risco cardiovascular, segundo a cobertura consultada. O ideal é buscar orientação profissional antes de reduções severas.
Qual dieta é a melhor para emagrecer, segundo a ciência?
Não existe uma resposta única. O que mais parece influenciar o resultado a longo prazo é a capacidade de manter o hábito alimentar escolhido de forma consistente, e não apenas qual dieta específica foi seguida.
Aviso importante
Este conteúdo tem caráter informativo e foi construído a partir de pesquisa em fontes públicas e reportagens sobre dados do Google Trends e estudos científicos. Ele não substitui orientação de nutricionista, médico ou outro profissional de saúde qualificado. Antes de adotar a dieta low carb ou qualquer mudança alimentar significativa, consulte um profissional, especialmente se você tiver alguma condição de saúde preexistente.
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